segunda-feira, 20 de julho de 2009

A hora de dizer adeus...

ou até breve!
Se um ou outro, ainda não sabemos. O que temos de concreto é o fato dos colunistas estarem tão envolvidos em seus projetos e dificuldades particulares que não tem sobrado tempo para este blog.
Assim, queremos agradecer a cada um de vocês por estes dez meses de vida coletiva, pelo carinho e atenção que nos dispensaram e pelo tanto que nos acrescentaram com seus comentários. Agradecemos também aos leitores silenciosos por ter nos privilegiado com a sua visita.
Beijos a todos e felizes dias!



.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Trivialmente

.


SOLIDÃO


É comum confundirmos estar só com solidão.




A solidão provoca infelicidade, desajuste, sentimento de não pertencer ao que nos rodeia. E isso é agravado com a comparação. Se, por exemplo, um rapaz do interior se muda para a capital e compara seu sotaque e seus modos simples com os outros rapazes, acabará se sentindo deslocado e fora do seu ambiente, não pertencente àquele local. Sentirá na pele a solidão dos diferentes, dos desajustados, e sofrerá sozinho por tudo isso. Ele precisará aprender a cuidar de si mesmo, a encontrar o que, para ele, faz sentido. Ou partirá para o vale tudo, fazendo qualquer coisa para ajustar-se, para incluir-se. Poderá fazer qualquer coisa para evitar sentir-se só, como deixar de lado seus conceitos de certo e errado, sua integridade, consciência e intelecto apenas para fazer parte do grupo, para evitar a rejeição.

Estar só consigo mesmo pode trazer melhor conhecimento e compreensão da própria vida e daquilo que nos faz mais felizes. Independente do nosso estilo de vida e do nosso envolvimento com quem nos rodeia, existe uma parte de nós que é independente e totalmente separada dos outros. Existem muitas coisas que nos fazem mais felizes e que não precisam, necessariamente, de outras pessoas à nossa volta. Eu, por exemplo, me sinto muito bem quando posso ficar sozinho em casa, ouvindo uma boa musica e lendo um bom livro. Ou mesmo vendo um filme especial. São coisas simples e que posso fazer sozinho, sem me preocupar com outras pessoas.

Em atividades simples como uma caminhada matinal, por exemplo, existem aqueles que preferem faze-la na companhia de uma ou mais pessoas. E existe quem prefira caminhar sozinho. Aqueles, vão conversando, distraindo-se uns com os outros, sem ver o mundo que os cerca. Geralmente são pessoas que não suportam fazer nada sozinhas, perdendo, assim, um dos prazeres de uma caminhada que é o sentimento de comunhão com a natureza. Quem caminha sozinho, pode observar as flores do caminho, as árvores e a brisa que acaricia o rosto, enquanto percebe as reações do seu corpo ao exercício físico. E enquanto isso, estar em contato com sua individualidade, aprendendo a conhecer-se melhor. E também aprendendo a ouvir os sons da natureza, o que ela tem a dizer, a ensinar.

Estar em companhia de outras pessoas não significa, necessariamente, comunhão. Pode ser uma forma terrível de solidão, como um artifício para evitar o contato consigo mesmo. É possível sentir solidão durante uma festa. Ou com amigos, colegas de trabalho e até mesmo em casa, com a própria família. Se não estivermos bem conosco, se não estivermos em paz, poderemos ser atacados pela solidão, pois nossa auto estima estará fragilizada pela falta de contato com nosso interior.

E se estivermos em paz, jamais estaremos solitários, mesmo quando estivermos sós.

.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O convidado


Uma longa noite

Não posso aceitar a estupidez humana.
Por isso hoje saí, como há muito não fazia, a vagar pela noite de minha cidade. Era dominado por uma angústia de quem não se reconhece mais na dor ou na falta de alegria. Na rua de casarões velhos e fétidos, com suas pedras de paralelepípedos mal distribuídos, saí em busca de um sinal de vida. Encontrei uma prostituta, bêbada e já não tão jovem, a me oferecer uma noite de amor e prazer por dez, vinte reais.
Tem gente, de alma prostituta e viés nazista que se vende por bem menos.
Ao longe, como querendo estancar o mundo que não lhe parava de rodar, um velho bêbado, descalço, apoiava as duas mãos da parede enquanto urinava junto ao busto de algum poeta esquecido. Ou que talvez nem fosse um poeta.
Sentia dor infinita no meu peito. Não a dor física, que tanto consome meus dias e transtorna minhas noites. Era, outra vez, uma dor surda que volta a afligir esta alma calejada, mas que se recusa a ficar embrutecida e a capitular.
Tentei escrever versos. Tentei olhar uma réstia de luz da lua. Não há versos, nem lua na madrugada chuvosa de minha ilha suja e tão esquálida quanto o casal de adolescentes que dorme, em andrajos, abraçado, ao lado de um saco sujo de cola de sapateiro sob a marquise do casarão fedorento e em ruínas.
Absorto, com lágrimas finas misturadas às gotículas das águas grossas deste fim de inverno, nem vi a chegada dos primeiros raios de sol desta segunda-feira angustiada como meu coração. E, ainda com as lágrimas banhando a manhã de junho, voltei para casa.
Apesar da madrugada insone, sei que ainda tenho, no raiar de todos os dias, um compromisso inadiável com a vida. Até quando, não sei...
Régis Marques escreve no blog Poesia & Cia
.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

EntreAspas


Para algumas coisas sou completamente cega. Não uma cegueira proposital. É que só vejo o que está no campo dos meus interesses. Acho que todos somos assim – mas nem todos reconhecemos. É claro que este campo é mutável. Depende do tamanho da alma. E às vezes, confesso, a minha é bem pequena.

Foi num dia de alma pequena que tudo aconteceu. Sabe estes dias em que tudo te parece sem cor? Estava cega para tudo – menos para minhas dores particulares. Nunca elas estiveram tão profundas quanto naquela manhã gelada que beirava o inverno. Até a neblina opaca contribuía. Um tanto pela idade – estou começando a sentir o degringolar do meu tônus muscular. Interno, claro!

Ai, como eu tergiverso! Mas então o dia era em branco. E foi no branco que se inscreveu uma sucessão de imprevistos. Começou no estouro do pneu. Depois que meu coração reaprendeu a bater, vieram os palavrões. Eu não me lembrava do número de emergência da administradora da rodovia. Os carros pequenos passavam por mim sem me ver. Os carreteiros olhavam divertidos sem parar. E a minha reunião em BH incendiando a minha ansiedade. Em seguida, fui parada numa barreira da Polícia Federal. Mais preciosos minutos escorrendo das minhas horas contadas.

O terceiro incidente veio alguns km depois. Pista fechada, sons de ambulância, todos fora de seus veículos e eu tamborilando no volante. A reunião cada vez mais crescente na minha preocupação. Quando já estava contabilizando o absurdo de quase uma hora de atraso na viagem, a porta do carro da frente abriu e saiu uma senhora. Enquanto ela vinha na minha direção, fiquei observando seu andar torto e o reflexo do esforço em seu rosto. Por que será que alguém com tamanha dificuldade de andar inventa de sair do carro sem nenhuma necessidade?

Depois de me cumprimentar, fez-me algumas perguntas. Respondi com pouquíssima vontade. Meu mau humor estava beirando a falta de educação. De repente, começou a me contar do acidente que a deixara com uma perna menor que a outra. Uma absoluta falta de interesse me fez interrompê-la: foi grave o acidente aí na frente?

Ela me olhou sem surpresa. Parecia estar acostumada a não ser ouvida. Foi aí que me vi. Um monte de egoísmo e cegueira. Igualzíssima a todo ser humano que se sente imune ao envelhecimento. Cheia de remorsos, arregalei os olhos da alma e me dispus a ouvi-la. Mas ela já não falava mais de si. Depois de me dizer o que soubera sobre o acidente, colocou em mim olhos bondosos e aquele ar de quem tem todo o tempo do mundo para me escutar. Com o remorso batendo pesado na consciência, tentei me desculpar contando do meu trabalho e do tempo contado que era minha vida.

Foi um papo rápido, como rápidas têm sido minhas horas. Mas o incidente como um todo mexeu profundamente com minha auto-imagem. Reconheço: nunca fui muito paciente com a velhice, embora a respeite. E sempre me cobrei por isso. Sei, ninguém é perfeito e estou longe, muito longe da perfeição. Mas não me lembro de ter sido tão grosseira. Ou tão insensível. Pelo resto do tempo que fiquei naquela rodovia, me culpei. Inutilmente. Culpa nunca acrescenta, só paralisa.

Hoje, o incidente ainda me incomoda. E ainda não fiz nada de concreto para me sentir melhor. Continuo acalentando a culpa sem tempo para expurgá-la. Mas não estou indignada comigo mesma. Aliás, estou em processo de desindignação. Ando discordando de velhos hábitos e antigos atos. E até de Nietzsche, apesar de tender a concordar que “ninguém mente tanto quanto o indignado” - talvez porque os brados quase nunca se transformem em atitudes. Ao invés de indignar-me, sei que devo partir para a ação reversa. Sem cegueiras, propositais ou não. Espero.

A imagem: Pintura digital de João Werner: Cachimbo da Paz



.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A convidada



Paris!

As luzes brilhavam, e eu extasiada admirava o que via. Entre emocionada e deslumbrada, um frio percorrendo a espinha, lágrimas silenciosas desciam pela face... Um filme pela memória, uma volta no tempo, há quanto, eu esperava por esse momento? Enfim chegou... Ali não havia sorriso mais feliz que o meu.
A saída do aeroporto Charles de Gaulle foi permeada por pensamentos, enquanto o trem percorria o caminho e me levava rumo ao coração de Paris (e o meu em festa), e ao hostal, uma certa tensão no ar. Quando saí do metrô, “tipos esquisitos” beiravam os arredores da estação, mas a experiência alertava-me para o cuidado, e fiquei atenta, enquanto não me senti segura, não relaxei. Em Paris estava muito frio, e isso me faz tomar mais cuidado, afinal os passos são mais rápidos, o olhar mais cabisbaixo e a coluna fica mais vergada...
...Eu estava em Paris. Repetia silenciosamente: estou em Paris! A cidade do meu imaginário, o lugar dos meus sonhos de pré-adolescência. Sem jamais ter ido lá antes, via com clareza algumas paisagens e monumentos. Paris, tão cantada e decantada por poetas e cantores. Quantas vezes foi ficcionalizada, filmada e serviu de palco de revoltas furiosas, revoluções, passeatas, reivindicações e amores avassaladores...? Fez e é História; desde quando Paris, a cidade das luzes, me habitava? E me alimentava esse sonho de um dia estar nela, tanto quanto ela estava em mim?
Mas a hora era inapropriada para algo além dos pensamentos, o Montmartre me pareceu familiar, e o tempo permitiu-nos apenas deixar a bagagem e procurar algum lugar onde pudéssemos comer algo e tomar um café...
Paris vestira-se de dourado para nos receber, as folhas das árvores eram de um amarelo ouro, a confundirem-se com a íris dos meus olhos, que de cor-de-cajá, passara a outonal.
Ah, como lamento a minha limitação, como eu queria dizer belezas sobre a mais bela cidade do mundo? Não sou capaz, mas o que aqui deixo são as emoções que essa cidade me causou na alma...
A chegada ao Palais du Louvre não foi tão logo, afinal, queria passar no Centro Pompidou, mas à medida que eu me aproximava da Quadra do Louvre, criava alma nova e asas nos pés, o coração era só felicidade: Musée du Louvre! Entre o rio Sena e a Rue de Rivoli, o seu pátio central, ocupado agora pela pirâmide de vidro, diante dela, não me contive e outra vez (sou chorona que é uma beleza), as lágrimas me acudiam para não me engasgar com o nó na garganta... Saí disparada olhando tudo, captando tudo, cada detalhe do prédio do museu... E, e meus olhos adquiriam brilho novo, a boca rasgada de contentamento. Já havia planejado o que queria ver, afinal, em menos de uma semana não dá pra ver nem a metade do Louvre. Óquei, ingressos comprados, mapa na mão, hora de realizar mais um sonho... Tá ali, ali! O caminho para a Monalisa, entre ela e eu, a escadaria Darú, eu não andava, mas voava para avistar a Vitória de Samotrácia, emocionada, admirada a contemplá-la... Não sei quanto tempo fiquei quieta ali, parada diante de algo que esperei por tanto tempo... Onde quer que se olhe, numerosas obras-primas dos grandes artistas europeus como Ticiano, Rembrandt, Michelangelo, Jacques-Louis David, Vermeer, Bosch, Jan van Eyck, Rubens, Van der Weyden, Frans Post, Van Dyck, Brueghel, Lucas van Leyden, Giotto, Fra Angelico, El Greco, Goya, Velásquez e tantos mais... Numa das maiores mostras do mundo da arte e cultura humanas... Hora de continuar o passeio, destino: Monalisa: mas ali está...! Ela, e eu, trêmula diante daquele pequeno (em diâmetro, uma tábua de álamo, um pouco entortada e milhões de rachaduras de tinta e verniz já ressecados) quadro, uma corda a separá-lo dos visitantes, segurança até os dentes, e eu ali, arrebatada, em oração, contemplativa e o choro já não mais contido...
Mal me refazia duma emoção, era tomada por outras, diante da Vénus de Milo, não foi diferente, o silêncio era de fato entrecortado pelo choro que fluía leve, livre, entontecido... Não era fácil conter-me e não contive-me, minha preocupação primeira foi sentir, e senti!
Saí pelo museu feito uma criança que ganha antecipadamente seu presente de natal esperado a vida inteira. Por onde olhava, andava, havia o que se ver: enormes coleções de artefatos do Egito Antigo, da Civilização Greco-romana, Etrusca, Artes Decorativas e Aplicadas, Gravuras e Desenhos, Esculturas, Arte Islâmica, Antigüidades do Oriente Próximo, e...!
Rumamos para a Torre Eiffel, não sem antes me calar quando vislumbrei um pedaço do Arco do Triunfo, o olhar deslumbrado sobre o Museu de Rodin, o Pantheon... Muita coisa para um olho tão pequeno e uma alma ilimitada... Na Torre, mais emoção com uma pausa para um lanche, nos jardins que ladeam a avenida que leva à ela. Outro forte momento... Ali estava, exuberante, iluminada, cores azuis por toda ela, esplendorosa!
Dia seguinte, apesar de muito cansada, mas com uma energia vinda dos céus, porque adorava caminhar pela urbe, e assim apreendê-la.
Destinos: Sacré Coeur e Notre Dame de Paris. A brancura do Sagrado Coração é uma visão inefável, uma das mais belas vistas, Paris sob meus pés, descobrir sem pressa o Montmartre e observar o conjunto arquitetônico descansava meus olhos da imponência da própria cidade... Andar pelos boulevards, avenidas, ruas e pontes, enchia-me duma liberdade jamais imaginada. Era muito mais prazeroso andar a pé do que tomar um metrô, ônibus ou taxi. Queria viver o ar que ela emanava, queria entrar naquela atmosfera, e o fiz. A chegada à Notre Dame, com uma pausa na Praça da Bastilha (claro que outra vez a História está ali... Refiz todo o processo da Queda da Bastilha), espasmos de emoção me perseguiram durante todo o tempo em que estive na cidade. O Rio Sena serpenteando-a toda, a beleza das pontes não era comprometida pelo gris do cimento armado. Seguia como quem jamais houvera visto qualquer tipo de beleza, porque não há, a minha concepção de belo agora se dá antes e depois de Paris.
... Parada diante da exuberante Catedral Gótica mais importante do mundo, sentia-me tão pequena e tão grande ao mesmo tempo. Fiquei fantasiando o Quasímodo e a Esmeralda se embrenhando pelos recantos, portas, labirintos da Catedral... Acorda, querida! Adentre a igreja e vá se deliciar com a arquitetura e a beleza desse monumento.
À noite, hora de caminhar pela av Champs Elyseés, que iluminada para o natal, ganha ainda mais um aspecto irrefutável de magia... Enquanto flanava pela avenida, o riso iluminava a cara, olhava tudo como se acabasse de sair de uma cegueira inexplicável. Ao final da avenida, na Place Etóile, a confluência de várias ruas e o Arco do Triunfo no centro: deslumbrante! Saí como louca circulando e fotografando todas as faces do Arco.
A cidade encanta pela beleza, e está em todos os recantos, bares, cafés, na sua arquitetura, exuberante, imponente, por todos o lados, suas perspectivas urbanas e suas avenidas, enche as nossas vistas de uma beleza descomunal, sem falar nos seus vários museus e monumentos. Um encantamento que nunca acaba... E oferece a todos, toda forma de poesia.
Por um momento senti-me em meio às manifestações do maio de 68 (“alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, por que não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe”).
Mas Paris também têm o outro lado da moeda, conflitos sociais de toda ordem, causados pelas divergências raciais, étnicas. Os imigrantes cada vez mais qualificados, já não interessam à cidade, filhos e netos desses imigrantes que têm dupla cidadania, não encontram espaço na cidade, são sobrantes, diante da configuração do mercado de trabalho. Por outro lado também, não desejam voltar ao país de origem dos seus familiares porque também já não são de outro lugar, que não aquele que não os querem lá. Qualquer um é um concorrente para os poucos postos de trabalho.
Tanto na Torre, quanto nos metrôs, ruas e outros monumentos, os policiais estavam lá armados até à quinta geração, sempre em número igual ou superior a três, atentos e olhando o derredor como se qualquer um fosse um inimigo em potencial. Muita tensão, no ar e nas ruas, era tangível. Vidros estilhaçados nos metrôs, gente deitada nas ruas, trânsito caótico, muitos condutores de veículos mal educados, desrespeitando a faixa de pedestre, uma batalha desigual entre pessoas e automóveis. O que desmistifica certos estereótipos com relação às cidades européias. Tao “normal” como qualquer grande centro.
Mas à parte dos problemas e tensões, Paris é um lugar que se deve ir, voltarei mais vezes e com mais calma, quero viver outros momentos lá e visitar outros lugares que não pude visitar em funçao do exíguo tempo. Paris está incrustrada em minha alma!
Valda Colares escreve no Blog Canto da Boca

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Trivialmente

.



Sexo casual e a eterna guerra dos sexos


A gente fala tanto sobre as mudanças comportamentais entre os seres humanos, que acaba parecendo um assunto banal, mas na verdade algumas coisas precisariam ser revistas. Há quinhentos anos as mulheres ocidentais eram tratadas como mercadoria de troca e de uso e, até poucas décadas, elas não tinham direitos como cidadãs, nem liberdade de expressão, ao passo que hoje, conquistaram seu lugar em pé de igualdade com os homens que ainda relutam em acostumar-se com todas essas mudanças.

Todos nós fomos criados dentro de padrões machistas, que nos impunham o papel de caçadores e provedores. O desconforto que ainda sentimos é tanto pelos costumes quanto pelo fato de que as mulheres brigam pelos seus direitos, mas na hora do “vamos ver”, preferem um homem experiente, pegador, dominador. Por mais que alardeiem não gostarem de homens galinhas, elas rejeitam os inexperientes ou mais sensíveis.

Mais livres e independentes financeira e emocionalmente, além de donas dos seus direitos, vários tabus se quebraram e a prática do sexo casual é um deles. Se por um lado elas resistem aos possíveis encantos de um homem sem pegada, muitos deles se assustam quando a mulher tem essa pegada, antes um predicado exclusivamente masculino. O homem não se sente confortável com o papel de objeto sexual e se percebe que a mulher, mesmo tendo curtido a transa, não se importa se não voltar a vê-lo, acaba pirando e sentindo certa sensação de fracasso. Se o homem pegador é conhecido como galinha, a mulher já conquistou vários apelidos, como pegadora, devoradora e piriguete entre outros.

E como produto de uma sociedade machista, por mais liberal que seja, o homem ainda não aceita uma mulher que já tenha passado pela mão de muitos outros como parceira fixa. Isso mostra que ainda somos tradicionalmente machistas quando se fala em relações mais estáveis. Na verdade, meninas e meninos pensam de forma parecida embora elas sejam de Vênus e eles de Marte, pois o que buscam com relação ao parceiro é bem parecido. As mulheres ainda buscam para seus relacionamentos, homens sérios e trabalhadores, porém firmes na pegada, ao passo que os homens preferem as mulheres, mesmo experientes, voltadas para a família e para o lar.

E fora de casa, seja o que Deus quiser!

Enfim, as mulheres agora independentes sentem-se seguras também para dar o primeiro passo na conquista de uma relação fortuita, casual ou mesmo fixa. E já sabem agir para conquistar e satisfazer seus desejos e sentimentos. Os homens, assustados com a aproximação direta e objetiva, reclamam do fim do flerte e até mesmo da feminilidade, numa óbvia confusão entre ação, iniciativa e condição feminina. Muitos homens receiam ser pegos, comidos e largados.

Como mostram as pesquisas, os homens gostam mais de sexo casual do que as mulheres. E estão mais preparados para a prevenção contra doenças ou gravidez. Mesmo assim, desejamos boas vindas às caçadoras, mas pedimos que moderem sua pegada para não assustar à maioria daquele que até pouco tempo ainda era considerado o sexo forte. E, por favor, conscientizem-se também de que a prevenção é essencial para manter todas as liberdades e direitos conquistados.

E agora, meninada, vamos à caça, pois a vida é curta e dormir agarradinhos pode ser uma delícia, mesmo que seja por apenas algumas horas.

.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Férias!



Férias – quem não gosta? Eu adoro, mas sei de gente que definitivamente, se não gosta, não está nem aí pro seu Procópio, acredite se quiser. Conheço um mocinho que é viciado em trabalho e que só fica feliz (segundo palavras do próprio) quando está em seu local de trabalho, dando um duro danado. Como ele é o chefe ele pode se dar ao luxo (hã?) de trabalhar 365 dias por ano. A saúde do rapaz? Decadente, lógico: ainda outro dia ele foi bater no PS por conta de um estresse brabo que se alojou em seu tão batalhador coração e que quase o leva dessa para uma melhor (quem me garante isso?). Mas eu também conheço pelo menos um que nasceu para viver em férias: está lá, em Parintins, em suas férias eternas. Faz quem pode, né?
De minha parte eu não vejo a hora de chegar o dia 30 de junho para pegar um vôo direto para qualquer lugar onde eu não tenha que sequer olhar para um computador e dar folga para minha coluna, meus braços, pernas, cabeça e dedos. Dane-se o medo de andar de avião, eu quero mesmo é rosetar!
Rotina é, na minha humilde opinião, algo inventado por Deus para que não deixemos nossa vida perder o prumo, mas viver uma rotina durante um ano inteiro não dá, vamos combinar. Até o nosso querido, amado, salve, salve, presidente tira seus diazinhos de folga, por que eu não vou tirar?
E quando eu falo férias, são férias de tudo: do trabalho, do telefone, da TV, da falta de tempo até para pensar na rotina do dia seguinte. Só não dá para tirar férias da família, dos amigos, de rir, de pular n’água (segundo minha mãe, eu devia ter nascido uma piaba), de se esticar ao sol, de viver! São minhas paixões na vida e preciso, neste ano em especial, de uma folga maiorzinha, pois apesar de não ter tempo para mais nada na vida, eu consegui arrumar um tempo para pensar besteira além do o usual, é fato. Uma amiga me receitou: tire férias da vida. É louca: se eu tiro férias da vida, faço o quê? Morro? Nem morta!
O trabalho é, sim, edificante, mas exige tanto envolvimento quanto comprometimento. Alguém aí conhece a diferença entre um e outro? É só pensar no papel da galinha e do boi na nossa alimentação: a galinha se envolve, ela bota o ovo e depois sai tranquilamente cacarejando. Já o boi, não. O boi precisa dar sua carne, seu sangue, até a medula para que a gente fique bem alimentado. Pois é: eu descobri que sou galinha: boto meus ovos bonitinha, todo santo dia, mas depois quero sair cacarejando o mais alto possível em, no mínimo, 30 dias de férias! Eu preciso disso para manter meu foco na vida e, em consequência, no meu trabalho. Teve um ano desses aí que pra me tirar da frente do PC tiveram que me arrastar, eu trabalhei até 5 minutos do máximo que poderia ser esperado para chegar ao aeroporto. Coisa de doido, mas já recebi alta do hospício e esse ano já estou de malas prontíssimas, o Brasil que me espere, porque eu estou chegando!